Filha doa medula para salvar a vida de mãe com leucemia após diagnóstico em SC: ‘Devolveu a minha vida’
10/05/2026
(Foto: Reprodução) Filha doa medula para salvar a vida de mãe com leucemia após diagnóstico em SC
O cuidado sempre fez parte da rotina da Cláudia Pires, dona de salão de beleza em Florianópolis. Acostumada a passar os dias cuidando de clientes, funcionários e da família, ela precisou aprender o caminho inverso após receber o diagnóstico de leucemia: desacelerar e aceitar ser cuidada.
A notícia veio em setembro de 2025, quando Cláudia acreditava estar com uma virose quando surgiram manchas vermelhas e roxas pelo corpo. Depois de exames e internação por conta das plaquetas baixas, veio a confirmação da doença.
“Você perde o chão, mas tem que tirar força de algum lugar e seguir em frente”, relembra.
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LEUCEMIA: entenda doença, sintomas e tratamento
O diagnóstico mudou a dinâmica da família e meses de quimioterapia antecederam a indicação do transplante de medula óssea, considerado um dos principais caminhos para tratamento em casos de leucemia aguda. A partir daí, começou a busca por um doador compatível.
Os primeiros testes foram feitos entre familiares. Irmãos, sobrinhos e filhas de Cláudia fizeram exames. Parte da família saiu de São Paulo para participar da mobilização.
A escolhida para a doação foi a filha caçula, Natália Pires, de 32 anos
Arquivo pessoal/Natália Pires
Os resultados chegaram em uma data simbólica, em 24 de dezembro, véspera de Natal. A escolhida para a doação foi a filha caçula, Natália Pires, de 32 anos.
“Quando ela começou a falar os nomes compatíveis… meu irmão Marcelo, minha filha Marcela e minha filha Natália… foi só choro. Só agradecimento. É muito forte saber que minha filha pôde doar a medula dela para mim e devolver minha vida”, disse Cláudia.
“Foi em pleno dia 24 de dezembro. O Natal sempre foi muito especial na nossa família. Foi o melhor presente que a gente podia ter recebido”, conta a filha.
O transplante aconteceu em março. Dois dias antes, Natália passou pela doação da medula. O procedimento pode ser feito por coleta diretamente da região da bacia, com anestesia, ou por aférese, processo semelhante à doação de sangue, em que células-tronco são separadas por uma máquina.
“Poder devolver a vida para a minha mãe… acho que não tem palavras para descrever o sentimento. É um procedimento relativamente simples para quem doa. E quem está esperando vive uma espera muito difícil. É quase um milagre”, afirma.
Parte da família saiu de São Paulo para participar da mobilização
Arquivo pessoal/Cláudia Pires
Medula óssea: veja como ser um doador e como funciona procedimento
Dias de isolamento e uma família dentro do hospital
Cláudia relembra as marcas que ficaram pelo caminho: internações, isolamento e medo. A família registrou cada etapa do processo desde o momento em que ela raspou o cabelo, acompanhada pelas filhas e outros familiares, até a notícia de que Natália era compatível para o transplante (assista no início da matéria).
O transplante marcou o período mais delicado do tratamento. Cláudia ficou 27 dias internada em isolamento total. A filha mais velha, Marcela, acompanhou a mãe durante todo o processo dentro do hospital.
“Era só eu e ela dentro do leito. Eu deixei meu filho pequeno em casa, meu marido… e todos os dias não tem como a gente não sofrer com isso”, relembra.
Mãe com leucemia recebe transplante de medula da própria filha em SC: ‘‘Devolveu minha vida’
Arquivo pessoal/Natália Pires
A supervisora de enfermagem do Centro de Transplante de Medula Óssea do Hospital Baía Sul, Heloísa Alves, explica que, apesar de o procedimento parecer simples na teoria, a jornada é intensa.
“São muitos momentos de internação e cuidados. O paciente precisa compreender o processo para conseguir atravessar tudo isso da forma mais tranquila possível”, afirma.
Chance de uma para cada 10 mil pessoas
Procedimento para retirada da medula óssea
Arquivo/HNSN
Nem todos os pacientes encontram um doador compatível dentro da própria família. Em muitos casos, a compatibilidade depende do banco nacional de doadores de medula óssea.
Em Santa Catarina, 169 pessoas aguardam atualmente por um transplante de medula óssea, segundo a Secretaria de Estado da Saúde. O estado possui cerca de 30 mil pessoas cadastradas como possíveis doadoras.
O diretor-técnico do Hemosc, Guilherme Genovez, explica que a diversidade genética brasileira torna a busca mais complexa.
“A chance de encontrar compatibilidade pode ser de uma para cada 5 mil ou até 10 mil pessoas”, afirma.
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